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sábado, 29 de julho de 2023

CONSTRUÇÕES DE AFETOS


 

Naquele tempo, de lampiões a querosene e colchões de palha, a gente se divertia com coisas muito simples. Uma dessas brincadeiras, era inventar versinhos!

Sem escrita, “construídos” de cabeça, declamados “de vereda”, como dizia meu pai!

E meu pai, tinha um enorme repertório de versinhos prontos, guardados na cabeça, para dizer, assim que fosse solicitado!

Brincávamos de fazer versinhos nas frias noites, daqueles invernos!

Ao redor do fogão a lenha, enquanto minha mãe cozinhava e organiza a vida de todos nós!

Numa dessas noites geladas, Mantino e Mudinho, “meus gnomos da floresta”, apareceram lá em casa na hora da janta, enquanto os  versinhos pipocavam na nossa cabeça.

Na minha vez de recitar, sem muito treino de inventar, peguei um de meu pai, decorado na minha cabeça, o primeiro versinho que tenho lembrança, e “lasquei”:

 

“Lá atrás daquele cerro,

Rola pau rola Pinheiro,

Quem não sabe trovar verso,

Não “estrove” os companheiros”!

 

Na sequência, Mantino se prontificou a declamar!

Fiquei surpresa! Pois, não imaginava que Mantino fosse capaz de construir um versinho!

Me olhando  sorrindo, com seus poucos dentes e a barba branca por fazer, falou com sua voz baixa e fanhosa:

 

“Lá atrás daquele cerro,

Rola pau rola Pinheiro,

Quem não sabe trovar verso,

Não se meta de paleta”

 

Foi muito engraçado, pois pensei, e tenho certeza que todos  pensaram, que ele fosse repetir o “meu” versinho, só que ele mudou, com maestria, a ultima frase! Rimos muito!

Essas singelas lembranças amornam meu coração, sempre que passeiam no meu pensamento!

 

E você, brincava do que??

 

Beijo carinhoso para você que leu aqui!!

 

Texto e fotografia de Jossara Bes.

 

 

 

 

 

sábado, 15 de julho de 2023

BROTADO DA ALMA


 

Às vezes fico tão feliz, com as coisas que me brotam d’alma!

Chegam assim, sem intenção,

despertadas de uma palavra, nascidas de uma alegria, florescidas num respirar!

Fazem  meu dia cantar,

Cantigas de passarinho,

Aconchegada no ninho!

 

Sentindo o cheiro Deus,

Em cada letra escrita!

Ah! Como a vida é bonita, do jeito que se apresenta!

Me sinto muito honrada,

Sem palavras para dizer,

E de novo agradecer

A bênção desse viver!

 

“Coração alegre, bom remédio”!

 

Texto e fotografia de Jossara Bes.

(Tenho muito carinho por essa foto)

 

 

 

sábado, 8 de julho de 2023

QUE EU FAÇA POR MERECER


 

É bom acordar sentindo o coração amornado pela quietude amanhecida do novo dia!

Lá fora, o mundo desperta! Cada Ser cumprindo seu propósito de vida!

 

Que eu possa cumprir com alegria, tudo que a mim for direcionado, nesse NOVO DIA!

Que eu faça por merecer!

 

 

“Coração alegre, bom remédio”!

 

Texto e fotografia de Jossara Bes.

 

 

 

sábado, 1 de julho de 2023

SEMEADORES DE DEUS


 

 

Tem gente assim, feito estrelas,

 Mesmo  de longe, iluminam o coração da gente!

Vez em quando, visitam  meu pensamento, como se fosse um ventinho, um carinho, um abraço bom!

 

Tem gente, que mora no coração da gente!

Ficam ali quietinhos, nos abastecendo de amor, de encanto e esperança!

Tem gente de carne e ossos, assim, feito a gente, mas com a alma perfumada!

Passeiam pela vida, semeando o perfume de Deus!

 

Gratidão, pessoas do meu coração!

 

 

“Coração alegre, bom remédio”!

 

Texto e fotografia de Jossara Bes.

 

 

sábado, 24 de junho de 2023

ENGENHEIROS DE FOGUEIRAS


 

Naquele tempo, no meu pequeno lugarejo, a  fogueira de São João, era um evento!

O gramado, ao lado da venda do seu Romano, na frente da casa de dona Téia,  era o lugar escolhido para a construção da  fogueira!

Sim gente, era “uma construção”!

Pois, levantar uma fogueira, naquele tempo, demandava engenharia!

 

A regra básica era:

Queimar até o fim, sem desmoronar! Isso exigia noções rebuscadas de construção!

 

Passávamos dias juntando “materiais”, - pneus, taquaras, grimpas, galhos e tudo mais que pudesse se transformar em labaredas.

 

Eu prestava muita atenção nos detalhes da construção:

- Primeiro o mais importante, o centro – um galho reto e alto. Quanto mais alto, melhor!

- Segundo – montava-se a estrutura em volta desse centro guia. Com galhos de pinheiro, grimpas, miã e muitas taquaras.

- Terceiro – um pneu velho, colocado na ponta do galho guia, e outros distribuídos aleatoriamente em volta (Naquele tempo, pneu era raridade).

 

Não tenho certeza se a gente comia alguma coisa, talvez pinhões, batata doce,...

isso não importava, o ponto alto, o divertido, era ver a fogueira queimar!

Ouvir o zunido, antes das taquaras estourar e faíscas multicoloridas  se espalhando, colorindo a escuridão da noite, se misturando  com as estrelas do céu!

 

Eu também virava fogueira, colorida de alegria, correndo por entre faíscas, risadas e gritarias, naquelas mágicas noites de São João!

 

E ainda hoje, se eu fechar meus olhos  vejo e até escuto, cada um de vocês, engenheiros de fogueiras, engenheiros de magias, engenheiros de alegrias, meus queridos da minha infância!

Logo ali, onde o tempo faz a curva e as lembranças dançam, feito labaredas nas fogueiras de São João!

 

Que São João nos abençoe, nesse e em todos os dias de nossa vida!

 

 

“Coração alegre, bom remédio”!

 

 

Texto e fotografia de Jossara Bes.