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sexta-feira, 29 de setembro de 2023

BOA DE BICO


 

Não sou especialista em nada, mas fico dentro da média, em algumas coisas!

Coisas essas, que na maior parte, não tem serventia para nada, mas resgatam lembranças de bons tempos e as gentes do meu coração!

Pois, naqueles tempos, os miúdos aprendiam comer, depois a andar com as próprias pernas, aprendiam a falar e logo em seguida, nos ensinavam assobiar!

É sim!

Aprender assobiar era uma etapa importante da criancice!

 

Alguns tinham facilidade, logo pegavam o jeito e orgulhosas se amostravam, “trinando o bico”!

Já eu, ficava era bicuda e estonteada de tanto soprar e nada de sair silvo algum de meu bico!

Chorava de brabeza, pois meus irmãos que já sabiam, juntos com meu pai, o melhor assobiador que conheci, rolavam de rir do meu vão esforço!

Meu pai assobiava a “marca” (musica) que a gente pedisse e ainda “floreava”, como ele dizia!

 

Ah, mas eu era uma menina muito esforçada, quando queria!

Demorei, mas aprendi!

 

No começo, do “meu bico”, só saia  “ fiu - fiu”, sem ritmo nem poesia! Mas fui treinando,me esforçando, tentando imitar  meu pai e  outras pessoas assobiadeiras que eu conhecia!

 

Não me lembro de ouvir minha mãe ou outras mulheres assobiando!

Será que assobiar, naquele tempo, não era considerada uma coisa elegante para meninas?

Se não era, ninguém me avisou sobre isso!

Talvez, pela probabilidade de formação de  “código de barras” no lábio superior!

Não sei!

O fato é que aprendi e sei até hoje, assobiar muito bem!

 

No domingo passado, assobiei parte do hino rio-grandense e mandei para a rádio Gazeta, Programa Alma Gaúcha, do Sr. Antonio Pereira.

E não é que meu assobio foi para o ar!

 

Meu pai deve estar pensando:

— Mas, veja só! Não é que a “Gasguita”, (assim me chamava, quando queria me zoar) ficou boa de bico!

E você aí,..

 “Sabia que o sabiá sabia assobiar”?

 

 

“Coração alegre, bom remédio”!

 

Texto e fotografia de Jossara Bes.

 

 

 

 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

PARA "MINHA ÁRVORE", COM AMOR.


 

Na frente da nossa casa, tinha um pé de caneleira da folha miúda!

Uma árvore gigantesca, com o tempo desenhado no tronco e a delicadeza da vida movimentando-se nas folhagens verde claro.   

Os galhos se esparramavam fazendo cobertura de uma grande área do terreno! E sua sombra projetava no chão de terra, um grande circulo, pontilhado de brilho sol!

Ali, no verão, era o lugar mais ”fresco” de nossa casa!

Também, era o lugar mais bonito! Pois dali, eu via o Sol nascer e ir embora! Eu via a Lua atravessar o céu, as estrelas enfeitar a escuridão e tantas outras coisas, que só eu e ela, a caneleira, sabíamos!

Debaixo da minha velha caneleira, meu pai  contava causos e nos apresentava os passarinhos que ele conhecia pela cantiga: Sabiás, Periquitos, Cardeais, Tico-tico, Curuiras, Canarinhos,Trinca-ferro, Bentevi, Pica pau, Sangue de boi, Azulão, João de Barro, Tucano, Beija-flor, e tantos outros que eu poderia nomear aqui!

Era lá também, que a gente jogava clica (bolitas), brincava de casinha, esconde -  esconde e   pega - pega!

Minha velha caneleira sabia dos meus medos, das minhas angustias, dos meus sonhos mais secretos e das minhas alegrias infantis!

Naquele tempo, eu era a “menina da casa da caneleira”, filha do Ciro e da Irma!

Isso não é uma boniteza?

As árvores identificavam as moradas e seus moradores! E muitas vezes serviam de guias na imensidão dos cafundós!

— Vai sempre, até o pé de Sinamomo!

Ou então:

— Atravesse o rio, depois do capão de Guamirim!

Minha velha Caneleira, assim como a dona Irma e seu Ciro, já não existem mais, foram  para o céu, levados  pelos passarinhos!

Mas, no coração da “menina da casa da caneleira”, todos vivem  e fazem festa!

 

Benditas sejam todas as árvores da terra, donas do ar que respiramos, morada dos passarinhos, encantos da minha poesia!

 

“Coração alegre, bom remédio”!

 

 

Texto e fotografia de Jossara Bes.

 

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

TEMPO


 

Qualquer dia, se der tempo,

Tiro um tempo, vou te ver.

Pra te falar desse tempo,

Tempo demais, sem você!

 

Se o tempo passar depressa,

E não der tempo de eu chegar,

O tempo será saudade,

De um tempo e de um sonhar!

 

 

“Coração alegre, bom remédio”!

 

Texto e fotografia de Jossara Bes.

 

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

SOBRE O TEMPO DAS ROSAS


 

Folheando um antigo álbum

Encontrei um botão de flor!

Na verdade, um botão de rosa

E uma frase de amor!

 

A rosa seca guardada

Despertou velhas lembranças!

Cada pétala conteve um sonho

Em passos lentos de dança!

 

A rosa já foi vermelha!

Agora é desbotada!

Palavras que diziam amor!

Agora não falam nada!

 

Rosa vermelha de amor

Cor do fogo, da paixão!

O tempo secou a rosa,

E floresceu meu coração!

 

 

“Coração alegre, bom remédio”.

 

Poesia e fotografia de Jossara Bes.